Archive for 01/03/11 - 01/04/11

As irmãs Fox e os fenômenos de Hysdesville

Foi num pequeno vilarejo do estado de New York que se deram, no século XIX, os mais extraordinários episódios, provocados pelo plano espiritual. Trata-se de Hydesville, que fica situada cerca de vinte milhas de Rochester. Naquela época, era constituída por grupos de casas de madeira, quase todas de tipo humilde.

No dia 11 de dezembro de 1847, John Fox, pertencente à igreja Metodista, alugou uma dessas casas, para residir com a família, que se compunha, além da esposa Margareth Fox, de mais três filhas: Kat, de onze anos; Margareth, de quatorze, e Leah, que residia em Rochester, onde lecionava música.

No ano seguinte, isto é, em 1848, começaram os ruídos de arranhaduras, que se foram intensificando, cada vez mais, a ponto de a família Fox não ter mais sossego, dentro de casa. Esses "raps" começaram a ser notados, com mais freqüência, a partir de meados de março daquele ano. As meninas, diante de tanto barulho, ficavam tão alarmadas que não queriam mais dormir sozinhas. Investigações de toda natureza foram realizadas por seus pais, mas nada conseguiram descobrir. Os fenômenos eram mesmo estranhos.



Finalmente, na noite de 31 de março, houve uma saraivada de sons muitos altos e continuados. Kat Fox, na sua inocência de criança, desafiou a força invisível para que repetisse os estalos de seus dedos, no que foi imitada. Depois, Kat dobrou os dedos, sem fazer ruído, e o arranhão respondia. Ficou, dessa forma, constatado que, aquela força estranha, não só ouvia, como também via. Sua mãe teve então a idéia de fazer algumas perguntas, cujas respostas foram dadas por meio de pancadas.

"- Sois um ser humano?"  - Perguntou Mrs. Margareth. Não houve resposta.
"- Sois um Espírito? Se sois batei duas pancadas." Duas pancadas foram dadas pelo Espírito.

Estava, assim, estabelecida a telegrafia espiritual, naquela memorável noite de 31 de março de 1848.

Foi um vizinho dos Fox, de nome Duesler, que teve, pela primeira vez, a genial idéia de usar alfabeto para obter as respostas por meio de arranhões nas letras. Dessa forma, revelou-se que o Espírito batedor fora Charles B. Rosma, mascate assassinado, havia cinco anos, pelo antigo inquilino daquela casa, e que seu corpo se encontrava sepultado no porão. Mais tarde, pelo depoimento prestado por Lucretia Pulver, que fora empregada de Mr. e Mrs. Bell, que ocuparam a casa, havia quatro anos, soube-se que, realmente, ali esteve um mascate, o qual passou a noite com suas mercadorias. Nessa noite seus patrões disseram-lhe que podia ir para casa. Diz ela:

"- Eu queria comprar apenas umas coisas do mascate, mas não tinha dinheiro comigo; ele disse que me procuraria em nossa casa na manhã seguinte e m’as venderia. Nunca mais o vi. Cerca de três dias depois eles me procuraram para voltar. Assim voltei. Pouco tempo depois Mrs. Bell me deu um dedal, que disse haver comprado do mascate. Cerca de três meses depois eu a visitei e ela me disse que o mascate havia voltado e me mostrou outro dedal, que disse ter comprado a ele. Mostrou-me outras coisas que disse também tinham sido compradas a ele."

Como se vê pelo depoimento de Lucretia Pulver, Charles B. Rosma foi, realmente, o mascate assassinado e sepultado naquela casa. Cinqüenta e seis anos mais tarde, isto é, em 1904, encontrou-se o esqueleto de um homem na parede da casa que fora ocupada pelos Fox.

Primitivamente, o criminoso teria sepultado Rosma no porão, mas temendo fosse descoberto, transportou-o para a parede, lugar que julgava mais seguro. Daí porque, nas escavações procedidas na sepultura original, foram encontrados apenas alguns vestígios deixados pelo cadáver. Quanto a identidade do morto, paira certa dúvida. É possível que seu verdadeiro nome fosse outro. Como sabemos, muitas vezes são transmitidas mensagens corretas, associadas a nomes trocados. No caso em questão, os Espíritos que dirigiam esses fenômenos não teriam permitido fosse pelo Espírito de Rosma revelada sua verdadeira identidade, como se depreende pelas respostas dadas a algumas perguntas a ele formuladas.

Quando Duesler perguntou:
"- Foi assassinado?" - A resposta foi afirmativa.

"- Seu assassino pode ser levado ao tribunal?" - Nenhuma resposta.

"- Pode ser punido por lei?" - Nenhuma resposta.
"- Se seu assassino não pode ser punido por lei, dê sinais." - As batidas foram claras.
Isto significa que nem tudo os Espíritos podem revelar.

Possivelmente, o nome dado pelo Espírito, Charles B. Rosma, fosse puramente convencional para que não levassem seu verdadeiro assassino à barra dos tribunais. De qualquer forma, o fato chamou a atenção dos homens de ciência da época, constituindo-se, em 1851, em New York, uma comissão, sob a presidência de John Worth Edmonds, para estudar os fenômenos.

Em 1.º de agosto de 1853, o "New York Courier" publicava os primeiros trabalhos dessa comissão, o que provocou grande espanto nos meios culturais de então. Cinco dias depois, isto é, a 6-8-53, declarava o juiz Edmonds no jornal "New York Herald", o seguinte:

"- Comecei a investigação convencido do insucesso e disposto a torná-la pública no caso de uma impostura. Mas chegando a conclusão diferente, mostro-me no dever de declarar os resultados seguros de minhas pesquisas."

É interessante observar que o próprio juiz Edmonds tornou-se também médium. Sua filha Laura, de apenas nove anos de idade, desenvolveu a rara faculdade denominada poliglota ou xenoglossia, chegando a falar nove ou dez línguas, que lhe eram desconhecidas. Dos Estados Unidos, o movimento espiritualista espalhou-se pela Europa, recrutando, preferentemente, os homens mais ilustres da época. Dentre eles: Allan Kardec, que se interessou profundamente pelos estudos. Estava, assim, lançada, pelo plano espiritual, a base para a Codificação do Espiritismo, que seria, dentro de poucos anos, realizada pelo insigne missionário.

Anastácia - Escrava e mártir

Esta é uma narração da história de um Espírito, entre muitos, de uma luz imensa, que fora exemplo de fé e redenção, uma médica de almas, em nome do Criador

Anastácia, (Pompéu, 12 de Maio de 1740 — data e local de morte incertos) uma personalidade exemplar de devoção. É adorada informalmente em algumas tribos africanas e católicas pela realização de supostos milagres. A própria existência de Anastácia é colocada em dúvida pelos estudiosos do assunto, já que não existem provas materiais da mesma.

Nos meios que militam as lideranças negras, femininas ou masculinas, fala-se muito sobre quem foi e como teria sido a vida e a história da Escrava Anastácia, que muitas comunidades religiosas afro-brasileiras, particularmente, as ligadas à religião católica apostólica romana, gostariam que fosse beatificada ou santificada, dentro dos preceitos e dos ritos canônicos que regem este histórico e processo. Pelo pouco que se sabe desta grande mártir negra, que foi uma das inúmeras vítimas do regime de escravidão, no Brasil, em virtude da escassez de dados disponíveis a seu respeito, pode-se dizer, porém, que o seu calvário teve início em 9 de Abril de 1740, por ocasião da chegada na Cidade do Rio de Janeiro de um navio negreiro de nome “Madalena”, que vinha da África com carregamento de 112 negros Bantus, originários do Congo, para serem vendidos como escravos nesse País.

Entre esta centena de negros capturados em sua terra natal, vinha, também, toda uma família real, de “Galanga”, que era liderada por um negro, que mais tarde se tornaria famoso, conhecido pelo nome de “Chico-Rei”, em razão da sua ousada atuação no circuito aurífero da região que tinha por centro a Cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Delmira, Mãe de Anastácia, era uma jovem formosa e muito atraente pelos seus encantos pessoais, e, por ser muito jovem, ainda no cais do porto, foi arrematada por um mil réis. Indefesa, esta donzela acabou sendo violada, ficando grávida de um homem branco, motivo pelo qual Anastácia, a sua filha, possuía “olhos azuis”, cujo nascimento se verificou em “Pompeu”, em 12 de Maio, no centro-oeste mineiro.

Anastácia era uma princesa Bantu, destacando-se pelo seu porte altivo, pela perfeição dos traços fisionómicos e a sua juventude. Era bonita de dentes brancos e lábios sensuais, olhos azuis onde se notava sempre uma lágrima a rolar silenciosa. Pelos seus dotes físicos, presume-se tenha sido aia de uma família nobre que ao regressar a Portugal, a teria vendido a um rico senhor de Engenho. Pelo seu novo dono, foi ela levada para uma fazenda perto da Corte, onde sua vida sofreu uma brutal transformação e sofrimentos. Cobiçada pelos homens, invejada pelas mulheres, foi amada e respeitada pelos seus irmãos na dor, escravos como ela própria bem como pelos negros velhos que nela sempre encontraram a conselheira amiga e alguém que tinha "poderes" de cura para os males da alma e corpo. Estóica, serena, submissa aos algozes até morrer, sempre viveu ela. Chamavam-na Anastácia pois não tinha documentos de identificação, por ela deixados na pátria distante.

Trabalhava durante o dia na lavoura. Certo dia, veio a vontade de provar um torrão de açúcar. Foi vista pelo malvado do feitor que, chamando-a de ladra, colocou-lhe uma mordaça na boca. Esse castigo era infame e chamara a atenção de sua "sinhá", vaidosa e ciumenta que ao notar a beleza da escrava, teve receio que o seu esposo por ela se apaixonasse, mandou colocar uma gargantilha de ferro sem consultar o esposo. Coisas do destino o filho do fazendeiro cai doente sem que ninguém consiga curar, em desespero recorrem a escrava Anastácia e pedem a sua cura, o qual se realiza para o espanto de todos. Não resistindo por muito tempo a tortura que lhe fora imposta tão selvaticamente, pouco depois a escrava falecia, com gangrena, muito embora trazida para o Rio de Janeiro para ser tratada.

O feitor e a sinhá se sentiram arrependidos por um sentimento tão forte, que lhe foi permitido o velório na capelinha da fazenda. Seu senhor, também levado pelo remorso, providenciou-lhe um enterro como escrava liberta depois de morta. Foi sepultada na Igreja do Rosário, construída pelos seus irmãos de dor e acompanhada por dezenas de escravos, que mais tarde fora destruída por um incêndio. Não teve como evitar a destruição também dos poucos documentos que poderiam nos oferecer melhores e maiores informações referente a Anastácia, além da imagem que a história ou a lenda deixou em volta do seu nome e na sua postura de mártir e heroína, ao mesmo tempo.

Anastácia venceu seus obstáculos. Com mordaças e gargantilhas de ferro, pediu a Deus para ajudar as mesmas pessoas que a prejudicaram. Anastácia cumpriu sua missão.