Os sonhos


Os sonhos, em sua generalidade, não representam como muitos pensam, uma
fantasia de nossas almas, enquanto há o repouso do corpo físico. Todos eles
revelam, como fundamento principal, a emancipação da alma, assinalando a sua
atividade extracorpórea, quando então se lhe associam, à consciência livre,
variadas impressões e sensações de ordem fisiológica e psicológica. Estudemos o
assunto, que se reveste de singular encanto, à luz da seguinte classificação:
sonhos comuns, sonhos reflexivos e sonhos espíritas. Outras denominações
poderão, sem dúvida, ser-lhes dadas, o que, supomos, não alterará a essência do
fenômeno em si mesmo.
Geralmente temos sonhos imprecisos, desconexos, freqüentemente
interrompidos por cenas e paisagens inteiramente estranhas, sem o mais elementar
sentido de ordem e seqüência. Serão esses os sonhos comuns.
Por sonhos reflexivos, categorizamos os sonhos em que a alma, abandonando
o corpo físico, registra as impressões e imagens arquivadas no subconsciente e
plasmadas na organização perispiritual. A modificação vibratória, determinada pela
liberdade de que passa a gozar o Espírito, no sono, fá-lo entrar em relação com
acontecimentos e cenas de eras distantes, vindos à tona em forma de sonho.
Nos sonhos espíritas a alma, desprendida do corpo, exerce atividade real e
afetiva, facultando meios de encontrarmo-nos com parentes, amigos, instrutores e,
também, com os nossos inimigos, desta e de outras vidas.
Enquanto despertos, os imperativos da vida contingente nos conservam no
trabalho, na execução dos deveres que nos são peculiares. Adormecendo, a coisa
muda de figura. Desaparecem, como por encanto, as conveniências. A atividade
extracorpórea passará a refletir, sem dissimulações ou constrangimentos, as
nossas reais e efetivas inclinações superiores ou inferiores.
Quem exercite, abnegadamente, o gosto pelos problemas superiores, buscará
durante o sono a companhia dos que lhe podem ajudar, proporcionando-lhe
esclarecimento e instrução. O tipo de vida que levamos, durante o dia, determinará
invariavelmente o tipo de sonhos que a noite nos ofertará, em resposta às nossas
tendências. O esforço de evangelização das nossas vidas e a luta incessante pela
modificação dos nossos costumes, objetivando a purificação dos nossos
sentimentos, dar-nos-ão, sem dúvida, o prêmio dos sonhos edificantes e
maravilhosos, expressando trabalho e realização. Com instrutores devotados nos
encontraremos e deles ouviremos conselhos e reconforto. Dessas sombras amigas,
que acompanham a migalha da nossa boa vontade, receberemos estímulo para as
nossas sublimes esperanças.


Estudando a Mediunidade
Martins Peralva

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