Dragões

A palavra dragão é oriunda do termo drakôn que os gregos usavam para definir grandes serpentes.

Excluindo apenas as culturas do extremo oriente (China, Japão,Vietnam,etc) juntamente com a Asteca e Babilônica e as certas correntes religiosas como o Taoismo , praticamente todas as demais associam a figura mitológica do dragão ao mal, à ignorância e ao caos incrementando os fatores força,poder, astúcia,imoralidade, amoralidade e destruição.

Na América pré-colombiana tanto no México como no Peru são tidos como deuses que enfureciam quando não recebessem oferendas regularmente e materializavam sua fúria em terremotos,erupções vulcânicas ou secas prolongadas.

Entre as tribos norte americanas destaca-se a lenda do pai da tribo Apache que enfrentou um dragão matando-o e desta forma pode organizar seu povo que vivia espalhado.

Para os Persas eram responsáveis pelo mal responsável pela morte do gado , das florestas e falta de água.

No Egito antigo é apresentado na eterna batalha entre o deus-sol Rá e a serpente/dragão Apop.

Entre os sumérios eram os responsáveis por grandes crimes através de tempestades e enchentes.

Entre os gregos, os dragões sempre foram adversários poderosos de seus herois do mesmo modo que foram contra os herois celtas .

Inúmeros registros existentes nos bestiários(catálogos escritos por monges reunindo informação sobre animais, a imensa maioria por relatos de terceiros e lendas locais) da Igreja Católica deixa claro a intenção de disseminar o medo e o enaltecimento de figuras cristãs, na Idade Média,que lutavam contra o mal.

Isto é explicável pois se observarmos na Biblia inicia-se com a grande serpente que desencaminha Adão e Eva, em Êxodo 7:9-12 , em Isaías 30:6 ,em Ezequiel 29:3, no Livro de Jó 41:18-21, Ap 12:4 , Ap 12:7 a 9., Ap 16:13 ; Somemos a não menos conhecida história de São Jorge e as representações do Arcanjo Miguel pisando em um ser com rosto humano mas dotado de asas e cauda.


A visão de poder ,força e terror também pode ser traduzida na figura militar do Regimento dos Dragões de Portugal que surge em 1742 e que parte destes foram encarregados de proteger as áreas mineradoras e caminhos de escoamento do ouro e pedras preciosas que para tal função não mediram esforços e nem conheceram limites éticos já que a mão de obra eram os escravos.

Podemos ver acima que a idéia do Dragão que popularmente adquire formas ,nada mais é que a representação do mal ,da ignorância, do provocador de medo e infortúnios pessoais ou coletivos, do poder e força sem controle.Enquanto o popular e leigo (eXotérico) traduz a idéia do Dragão como um ser bizarro, os dotados de algum conhecimento mais aprofundado (eSotérico) entende que Dragão é apenas uma figura de linguagem,um sinônimo para referir ao negativo,ao mal, à ignorância.
Assim entende-se que S.Jorge com a lança (palavra correta e elevada) mata o dragão( ignorância).

Visitando o site do Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo-CVDEE deparei com a pergunta e uma resposta por demais adequada:

Duvida# 564 (Dúvida 18de 18 da categoria “assuntos diversos”
- Ao ler o livro Libertação,de André Luis,me deparei com a palavra Dragão. Quem são os dragões e com que forma fisica ele se apresentam? Com aspecto de forma humana-repteis(lagarto)?

R- Não encontramos maiores referência sobre os Dragões, mas, pelo que podemos compreender do que André Luiz nos cita no livro em questão, Dragões seria uma espécie de título, de rótulo que aqueles espíritos se utilizam para se identificarem, assim como, por exemplo, os clubes de futebol tem seus respectivos nomes. É uma espécie de identificação grupal.
Quanto a forma deles, também pelo que podemos entender, é a humana, porém, degradada pela persistência e prática de atitudes e pensamentos de cunho inferior.

Os já citados Dragões por André Luis tornaram-se mais conhecidos no meio Umbandista pelas obras produzidas por Robson Pinheiro. Embora ele afirmando ser espírita ,é inegável o teor espiritualista de suas obras.

Sem entrar no mérito da questão se “são boas ou ruins” as obras de Robson Pinheiro por necessitar de análises por estudo comparativo ,comprovações ,etc ; Sem também entrar no mérito da questão se “gosto ou desgosto” por ser individual e subjetivo , vou diretamente na questão de tipos de linguagem somente para auxiliar na análise destas e de qualquer outras obras de caráter espiritualista.


Na simbologia,dependendo da cultura, eram associados ao negativo:
Dragão na cultura hebraica = Simboliza o mal
Dragão na idade média =Simboliza o pecado
Dragão na cultura mesopotâmica= Simboliza o comando do caos

Ou ao positivo:
Dragão na cultura chinesa= Simboliza poder e riqueza
Dragão na cultura hindu= Simboliza a sabedoria (Êka ou Saka)
Dragão na cultura vietnamita= Simboliza a criação

Tais associações simbólicas são extremamente comuns que se levadas ao pé da letra fica um tanto estranho:

Cordeiro de Deus = Jesus ou o filho da ovelha e do carneiro ?
Afasta de mim este cálice = sofrimento ou um copo com alguma bebida dentro?

Por isso é importante saber diferenciar o que é linguagem conotativa ou simbólica(utiliza de metáforas e analogias) e o que é linguagem denotativa ou conceitual( sentido correto e literal).

Vemos no dia a dia o uso da palavra dragão em linguagem conotativa ou simbólica:

Dragão na astronomia =Uma constelação
Dragões da Real= Torcida organizada do São Paulo F.C
Dragões da Independência = 1º Regimento de Cavalaria de Guardas
Dragões em tatuagens = Simboliza a máfia chinesa-Yakuza
Dragões na biologia = Espécie de lagarto gigante
Dragões do Éden = Um livro de Carl Sagan
Dragões do Forró= Grupo musical de Aracajú
Dragões na linguagem popular = Mulher muito feia.

Seriam os dragões , primariamente citados por André Luis e atualmente nas obras de Robson Pinheiro, definidos como um exemplo de linguagem conotativa ou denotativa?

Para desvendar tal dúvida ,com a palavra o bom senso.

Como afirmou Arthur Conan Doyle: “Quando você elimina o impossível, o que sobra,
ainda que improvável, deve ser a verdade.”

Anjo Ariano

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